Quase sem tocar o chão

E de repente, é tudo tão urgente, emergente, necessariamente priorizado a ser ou estar no centro do maior palco já existente. Mas não é drama. É real. As pessoas fazem drama para que seja necessário acreditar de forma tão emergente no problema tão urgente que ocupa a cena em questão.


Olhar pra si é cada vez mais conflitante. Nos enxergamos como os maiores desafios de nós mesmos. Procuramos problema, onde deveríamos buscar respostas. E achamos respostas onde se encontram os problemas. Eu não to dizendo que tá tudo errado, mas no máximo, tá invertido. Cheio de mim, de si, de tu, e de todas as pessoas que conseguimos conjugar os verbos imperativos. Somos imperativos, orgulhosos, autoritários e individualistas, estamos muito suscetíveis e sensíveis ao julgamento e a dor. Remédio virou acessório de bolso; e celular, terapia emergente, com consultor online (ou não). Avanço social, retrocesso pessoal... A rima é pobre, mas o discurso é verídico.

Até que ponto somos responsáveis pelos sentimentos que provocamos no outro? Até que ponto somos sinceros o suficiente para julgar-se responsável pelo o que acontece com nós? Vitimização. A saúde mental não deve ser banalizada pela fragilidade cada vez mais atual da maioria dos jovens. É muita coisa pra pensar. É muita coisa pra fazer. É muita necessidade ser. Quantas horas tem seu dia?


Eu sinto falta de ver. De te ver perto. De te enxergar nos olhos. De conseguir ter a sensibilidade de notar as lágrimas que lutam para não se mostrar, pra mim. Tenho urgência e carência de relações humanas. Necessidade de atenção, nesse mundo tão carente de gente verdadeira. Umas com as outras. Mas sobretudo, com elas mesmas.
"Tem que melhorar... A maneira com que tratamos uns aos outros e olhamos uns pelos outros. De alguma forma, temos que melhorar." —Clay (13 Reasons Why, ep. 13 -ficha 7, lado A).


A lágrima que escorre dos meus olhos e percorre o meu rosto não é parte de uma cena. Mas é necessária pra construção de um enredo. É necessária para determinar o fim de uma luta interna. Porque lágrima, não só significa dor. Ela também significa conhecimento. Maturidade. Identidade. Necessidade. Verdade. Descarga de ansiedade. A qual enfrentamos diariamente, para que cada passo seja definido da melhor forma possível; e que cada salto dado, traga a esperança de um passo que foi deixado de ser marcado, na areia em que pisamos, de forma tão superficial.