entre nós

Não sei se é porque te sinto muito ou me sinto pouco, mas acontece que isso é sobre te sentir inteiro. Então fecho os olhos e deixo a água cair sobre meu rosto; sinto meus cabelos molhados tocarem meus ombros e um arrepio que me vem dos pés a cabeça. Meu corpo despido segue molhado, e meus pensamentos, cada vez mais, encharcados de desejo por sua estadia. Gritando em anseios por seu toque. Aguardando intensamente tua morada em meu peito.

Talvez a carência esteja tornando-se algo fundo demais para meus pés continuarem tocando a areia argilosa. Culpo-me por seu tão profundo e busco imergir com esperança de sentir menos pra me conhecer mais. Me perceber mais. Entretanto, não sei até onde isso pode ser um problema. Pareço estar cercado de problematizações, todas criadas por mim; e o fato de ser o único capaz de soluciona-las me assusta, confesso. Me assusta imergir em um mar desconhecido, com forte gosto de sal em minha boca que se mistura às lágrimas que escorrem dos meus olhos.



Conexões mentais são raras e esse fato, me deixa ainda mais atraído por sua presença. Seus olhos me mostram mais do que você quer que eu saiba e sua boca permite que você faça mais do que deseja; para que eu sinta mais do que imaginaria sentir por outro alguém. Eu só queria que da próxima vez que a gente se olhasse fosse de um jeito mais maduro e que quando nossos corações se encontrassem novamente, dentro do abraço da gente, eles estivessem mais decididos.

O que cabe em mim, não me cabe mais. Sou a gota que faltava pra derramar o copo cheio d'água. Sou quem vai te fazer mais que sentir-se cheio de si; eu vou te transbordar do que existe de melhor entre eu e você. Sóis. Vou desatar os nós que restarem entre nós, porque talvez você ainda não tenha parado pra pensar, que talvez eu esteja pensando em você agora. Porque decerto eu só queira chamar sua atenção para que seja nítida e essencial a minha presença. Na esperança de que você aproveite o "bem-me-quer" enquanto não resta mais nenhuma pétala a ser puxada.